sábado, 29 de outubro de 2022

Dia Nacional do Livro no Brasil - 29 de Outubro 📚

No Brasil, uma das datas para celebrar e valorizar os livros e a leitura é o dia 29 de Outubro, Dia Nacional do Livro, instituído em homenagem à inauguração da Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro,  1810.  É a maior biblioteca nacional da América Latina e uma das dez maiores e mais bonitas do mundo.

Salão de obras raras da Biblioteca Nacional do Brasil (fonte: https://diariodorio.com/a-historia-da-biblioteca-nacional-rio-de-janeiro/)

Os livros são preciosidades que carregam si histórias, informação, conhecimento, sabedoria, ciência, arte e cultura. São capsulas do tempo que tornam possível a conversa entre escritores da antiguidade e as crianças de hoje em dia, por exemplo.

Ao longo do tempo, os livros passaram por vários formatos: argila, papiros, manuscritos rudimentares, livros que são obras de arte, enciclopédias, e-books, audio-books... enfim, a criatividade humana é o limite para as formas que os livros podem assumir. 

Particularmente, sou fã dos livros de papel. Como descrever a alegria de receber livros que chegam pelos Correios? Ou procurar manualmente e encontrar o livro que não estávamos procurando nas estantes de uma livraria? E se deparar com aquela raridade nos sebos mais pitorescos? Ah... e o cheirinho de livro ao folhear aquele exemplar recém adquirido? Tudo isso faz parte do ritual bibliófilo. Você que lê essas palavras numa tela de computador ou do telefone celular, está de acordo?

Há livros que adquirimos pelo simples prazer de saber que está ali pertinho, pronto para ser lido e apreciado. Outros, lemos e relemos e, a cada leitura, novas descobertas e reflexões. Capsulas de conhecimento, fontes de imaginação, amigo para todas as horas... ah... como é prazeroso o gosto  e o contato com os livros!

Para celebrar o dia Nacional do Livro no Brasil, separei aleatoriamente alguns exemplares das áreas de Filosofia, Educação, Psicologia e Literatura Brasileira e Estrangeira, incluindo Poesia, é claro. É uma forma de  ilustrar a variedade e a importância dos livros em nossas vidas ao longo do tempo.

Livros são a garantia de que o conhecimento será passado adiante, de que os aprendizados e descobertas não irão se perder, de que as novas gerações terão novas ideias a partir do que foi escrito há séculos. 

Estamos às vésperas das eleições para Presidente da República do Brasil e podemos lembrar que há livros sobre democracia, formas de governo, ética, educação, liberdade, fraternidade, tolerância e respeito ao livre pensar. Conhecemos as histórias em que os livros foram queimados em fogueiras e isso não se trata de distopia e sim, realidade. Não foram os livros em si que eram considerados ameaçadores, mas o conhecimento que eles carregavam.

Nos países da Europa e em tantos países do Primeiro Mundo, as cidades costumam ter uma série de bibliotecas públicas. No Brasil, se uma cidade tiver uma biblioteca pública, consideramos suficiente. Quanto mais bibliotecas públicas, mais o conhecimento estará ao alcance de todos. Numa época em que cada vez há mais farmácias em cada esquina, construir novas bibliotecas é algo desafiador.

Para finalizar, alguns filmes sobre livros e leitura:

1. Minhas tardes com Margueritte, 2010, França, Direção: Jean Becker

2. Alexandria, (sobre Hipátia), 2009, Espanha, Direção: Alejandro Amenábar

3. A livraria, 2017, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Direção: Isabel Coixet

4. Fahrenheit 451, 1966, Reino Unido, Direção: François Truffaut

Boas leituras neste Dia Nacional do Livro no Brasil!

Aproveite para presentear com livros! 📚

quinta-feira, 30 de junho de 2022

O Conto na Literatura: Conta-me um conto

 Dentre os vários gêneros literários, o conto apresenta características bem marcadas e tem seu valor e espaço ao longo do tempo. Sua origem remonta as tradições orais, antes mesmo da linguagem escrita.

Há diversas formas de se contar um conto. Essencialmente, caracteriza-se por se tratar de uma narrativa curta, poucos personagens e um desfecho muitas vezes surpreendente. Há vários exemplos de contos contendo bastante páginas, equivalente a um romance, mas como a trama acontece em torno de poucos personagens e apresenta um único conflito, são considerados contos.

Podemos destacar alguns estilos em que predominam um ou outro elemento, como por exemplo, o conto de acontecimento, o conto reflexivo, o  conto sócio-documental, o conto de fadas, o conto fantástico, entre outros.

Por ter uma narrativa mais curta, pode passar a impressão de que seja mais simples de se escrever um conto. No entanto, a escrita de um  conto é uma tarefa complexa e desafiadora. 

Acho que eu tinha uns nove ou dez anos quando li um conto que considero marcante, pois lembro claramente até hoje e recentemente, encontrei o livro em que ele está inserido, num sebo e livraria em Florianópolis. Um trecho desse conto estava num livro didático de Língua Portuguesa de alguém da minha família. Como eu gostava de ler tudo o que surgia à minha frente, deparei-me com este conto. A narrativa se tratava de uma conversa em família na hora do almoço, em que um menino perguntava ao seu pai o que significava a palavra "plebiscito". A trama gira em torno dessa questão. O tempo passou e ao relembrar os contos que havia lido, fiquei com vontade de ler o conto novamente e adquirir o livro. Encontrei o livro no ano passado, na Livraria Desterrados, sem que estivesse procurando naquele momento. Descobri que foi escrito por Arthur Azevedo (São Luiz - MA, 07/07/1855 - Rio de Janeiro - RJ, 22/10/1908), irmão do também ilustre escritor Aluísio Azevedo, ambos estavam entre os fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Podemos citar escritores renomados, especialistas no gênero conto. Por exemplo, no Brasil podemos citar Machado de Assis, Álvares de Azevedo, Clarisse Lispector, Rubem Alves e Sérgio Sant'Anna. De outras nacionalidades, destaque para Guy de Maupassant, Anton Tchekhov, Júlio Cortázar, Jorge Luís Borges, entre tantos outros. Em Santa Catarina, um escritor que tem se especializado na escrita de contos é Carlos Henrique Schroeder.

Ao contrário do que pode se pensar, escrever contos não é algo tão simples. Por geralmente se tratar de uma escrita mais sucinta não significa que seja fácil ou superficial. Um conto, para ser interessante, é preciso que seja bem escrito e fique "redondo", ou seja, sem arestas, sem partes desnecessárias. Trata-se de uma escrita enxuta e muitas vezes traz reflexões profundas e desconcertantes, que ficam reverberando em nossas mentes por vários dias, ou mesmo por períodos de tempo maiores.

Alguns livros de contos que recomendo:

O hóspede, Mário Higa


Os Melhores Contos de Guy de Maupassant, Editora Círculo do Livro


Nova Antologia do Conto Russo, Editora 34


Contos húngaros, Editora Hedra

Aos poucos, estarei inserindo novas recomendações.

Boa leitura! 📚


domingo, 17 de abril de 2022

Feiras do Livro Virtuais e Presenciais em 2022

* Atualizado em 06/05/2022 

As Feiras do Livro, em várias cidades de todo o mundo, são eventos esperados por todos que apreciam o universo da literatura.

Na maior parte das cidades, o evento acontece anual ou bienalmente. São verdadeiras festas literárias: a reunião de escritores, editoras e muitos livros num único lugar! Lançamentos de livros, debates, palestras, rodas de conversa, espetáculos de música ou teatro... uma infinidade de atrações.

Livros em exposição num evento em Gênova - Itália, 2019

Nesta publicação estarei atualizando o texto com a divulgação de Feiras do Livro que acontecem no Brasil e em outros países.


📚 IV Feira do Livro Virtual da UNESP 2022: de 02 a 08 de maio

Essa feira é simplesmente demais! Vinculada à Universidade Estadual Paulista, promove o acesso a mais de 160 editoras com no mínimo 50% de desconto nos livros disponíveis para a feira.

Além de livros, há também uma programação cultural, a ser conferida no site: 

https://feiradolivrodaunesp.com.br/


📚 26a Bienal Internacional do Livro de São Paulo: de 02 a 10 de julho de 2022


📚 FLIPOÇOS - Festival Literário Internacional de Poços de Caldas 2022: de 27 de abril a 01 de maio

Ao completar 17 anos, o festival literário terá uma versão virtual no 1o semestre e uma versão presencial no 2o semestre. O evento é gratuito e  totalmente online. A temática desse festival virtual será livre. A cidade do Sul de Minas, tradicional pelas águas termais, também é uma cidade literária.

FLIPOÇOS Presencial: de 03 a 11 de setembro de 2022, em Poços de Caldas - Minas Gerais / Brasil. O tema deste ano é "Letra e Música - a sinfonia da literatura". 

Na programação do evento virtual podemos observar que mais de cem escritores convidados já confirmaram presença para várias palestras e debates. Além disso, tem o espaço das livrarias participantes, com livros em promoção. 

Durante o evento virtual serão abertas as inscrições para o  1o Prêmio Literário Flipoços para Escritores Independentes em parceria com o Kindle. Inscrições de 27 de abril até 30 de junho de 2022. A entrega dos prêmios ocorrerá durante o Festival Flipoços presencial, de 03 a 11 de setembro.

http://flipocos.com.br/pages/EDITAL_1_PREMIO_LITERARIO_FLIPOCOS_2022.pdf

A programação do FLIPOÇOS também está no Instagram (https://www.instagram.com/flipocos/), Facebook (https://www.facebook.com/flipocos) e Youtube (https://www.youtube.com/c/feira-flipocos/featured).

Faça o cadastro gratuito no site do evento e participe desse universo literário!


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Em breve, mais informações!

sábado, 9 de abril de 2022

A obra de Hermann Hesse - Autoconhecimento, Autoconsciência e Questionamento ao Status Quo

 Entre numa livraria. Maravilhe-se com as estantes cheias de livros. Aproxime-se daqueles livros que está querendo ler há muito tempo. Observe os títulos ao redor. Escolha um livro aleatoriamente. Alcance o livro à mão, folhei-o. Se possível, sinta o cheiro que o livro emana ao ser folheado. Absorva as sensações contidas nesse ritual. Pronto! Você encontrou o livro que precisava ler neste exato momento.

Esse ritual, ao adentrar numa livraria e apreciar suas estantes abarrotadas de livros, lembra o que descreve Italo Calvino no início de sua obra "Se um viajante numa noite de inverno" (1979). Ele enumera as recomendações básicas para ler e apreciar o livro que estamos prestes a ler. No caso, o referido livro dele e todos os bons livros que merecem a criação de um mundo à parte para mergulharmos em seu enredo e apreendermos ao máximo  o que o autor nos oferece.

Por falar em bons livros, aqueles considerados clássicos e "eternos",  como não  lembrar de Hermann Hesse? Da sua vasta e imponente obra, quero falar um pouco sobre "Demian" (1919) e "O jogo das contas de vidro" (1943). Mas poderia citar também "Sidarta" (1922), "O lobo da estepe" (1927) e tantos outros.  Além do mais, nessa época de tantos estímulos, barulhos e guerras, é sempre bom lembrar o valor da introspecção e do autoconhecimento. Os livros de Hesse nos conduzem por esse caminho.

Gosto de observar como os livros nos chegam, o percurso que fazem até pararem em nossas mãos. Há uns sete ou oito anos, ganhei alguns livros de uma amiga que se desfez de parte de sua biblioteca pessoal. Ela estava mudando de endereço e precisava doar alguns objetos e livros. Fiquei bem feliz com o presente. E qual a surpresa ao receber esses livros? O pacote continha algo muito valioso: O jogo das contas de vidro. 

Demian foi uma dica de um colega de trabalho que um dia, conversando sobre literatura, me perguntou: Você já leu Demian, Eliane?  É fantástico! Na semana seguinte, num dos meus passeios literários numa livraria em Florianópolis,  lá estava ele! Levei um exemplar e aproveitei para levar também "A descoberta da escrita" (2010) do escritor norueguês Karl Ove Knausgard.

Na imagem, além de Demian e A descoberta da escrita, um livro que está na minha lista: Floresta escura (2018), Nicole Kraus, escritora contemporânea.

Hermann Karl Hesse nasceu em Calw - Alemanha, em 02/07/1877 e faleceu em Montagnola - Suíça, em 09/08/1962. Natualizou-se cidadão suíço em 1923. Foi um escritor e pintor, laureado com o Prêmio Goethe e o Prêmio Nobel de Literatura em 1946. Sua família era muito religiosa, protestantes pietistas, foram missionários cristãos na Índia. A vontade dos pais era de que se preparasse para ser pastor, no entanto, saiu do seminário em que estudava, rompeu com a família e emigrou para a Suíça, onde trabalhou como operário e livreiro. Antes disso, havia viajado à India e teve contato com a espiritualidade oriental. Na Suíça, aproximou-se da psicanálise e da obra de Carl Gustav Jung, no cenário pós 1a Guerra Mundial. Com essas influências, buscas e experiências vivenciadas nesse período de transformações mundiais dedicou-se à escrita.

Hesse foi um escritor bastante lido em sua época, mas sua obra teve destaque e influenciou artistas, cientistas e pensadores de várias áreas principalmente na década de 60, no movimento da contracultura. A ênfase na busca espiritual, no autoconhecimento e nos princípios elevados para a vida tornaram sua obra universal.


Demian, romance de formação, 1919

Esta é considerada por muitos como a principal obra de Hesse.  Ao longo da narrativa, podemos observar passagens que têm um toque autobiográfico pois se trata de um jovem proveniente de uma família religiosa em busca de suas próprias crenças, valores e seu lugar no mundo. O jovem Emil Sinclair entra em conflito ao se deparar com um mundo que lhe oferece valores e experiências diferentes daquelas vivenciadas na proteção do ambiente familiar. Por outro lado, Max Demian é o jovem que apresenta as contradições e alguns mistérios ao jovem buscador. Pode-se observar a influência de Carl Gustav Jung ao longo da obra.

O livro é escrito de uma forma tão intensa que o leitor se sente realmente no lugar do protagonista, como se estivesse no local descrito e vivenciando seus conflitos, sensações e descobertas. Ao iniciar a leitura, é praticamente impossível não lê-lo de uma vez.


O Jogo das Contas de Vidro, ficção, 1943.

Num cenário futurista, século XXIII, os integrantes de Castália, uma sociedade de intelectuais busca o aprimoramento do jogo de avelórios, um jogo que reúne conhecimentos sobre várias áreas, como a música, a matemática, a astronomia, a filologia... bem como o autoconhecimento e o desenvolvimento pessoal. Na narrativa, o autor apresenta a história de José Servo, personagem principal que viveu boa parte de sua vida nesta sociedade. Seu comportamento exemplar, educação refinada, respeito a todos, dedicação aos estudos, ética e coerência aos valores mais elevados o colocam no ápice dessa sociedade. Ao longo da trajetória, Servo faz visitas a um grupo de monges e a alguns amigos que vivem fora de Castália e, nessas excursões, questiona sobre a vida isolada que levam em Castália. Após chegar no ápice do domínio intelectual, espiritual e cultural, almeja uma vida comum e uma ocupação nobre: ser professor.

https://www.record.com.br/produto/o-jogo-das-contas-de-vidro-edicao-de-bolso/

Essa leitura nos conecta com o que há de melhor no potencial humano. Posso adiantar que não é leitura rápida, não só pelas quase 700 páginas, mas pela riqueza de referências e reflexões nas entrelinhas. 

Boas leituras e reflexões! 📝📚🌻✨

sábado, 19 de março de 2022

A singularidade das bibliotecas, livrarias e sebos 📚

Considero as bibliotecas, livrarias e sebos* lugares especialmente "mágicos", singulares e fantásticos! Tenho lembranças  muito agradáveis de várias bibliotecas ao longo da caminhada. Livrarias e sebos, também. Nesses locais, perdemos a noção do tempo.

As bibliotecas fazem parte da nossa vida desde cedo, principalmente através das escolas. Aquela salinha mágica  nas escolas fundamentais em quem os livros ficavam guardados e disponíveis para consulta, pesquisa para os trabalhos escolares, leitura e empréstimo de livros... e as grandes bibliotecas das universidades. Como seria importante que todas as crianças tivessem acesso à educação de qualidade, acesso aos livros e às bibliotecas!

Real Gabinete Português de Leitura, Rio de Janeiro - Brasil https://www.realgabinete.com.br/

Ao longo do tempo, ao desenvolver o gosto pelos livros e pela leitura, descobrimos as bibliotecas públicas da nossa cidade e das cidades vizinhas. Bela surpresa descobrir que os livros também se encontram em lugares maiores, com mais opções de obras para empréstimo e aquele ambiente silencioso, cheio de jovens de todas as idades fazendo suas pesquisas, livros raros para a leitura no local ou simplesmente serem apreciados, e o cheiro de livro a cada estante.

Podemos visitar bibliotecas antiquíssimas e também as recém-inauguradas, modernas. Desde a antiguidade, as bibliotecas são lugares de estudos, pesquisa, armazenamento de saberes, coleções e mais coleções de livros. Essas, são preciosidades repletas de charme e nostalgia. 

Nas cidades, entre seus prédios públicos, como as escolas, hospitais, museus, teatros... as bibliotecas ocupam lugar de destaque. Podemos encontrar bibliotecas com coleções sobre os mais variados temas, bem abrangentes, e também, bibliotecas mais específicas, setoriais,  sobre artes, música, engenharia, botânica e assim por diante.

Na Babilônia, placas de argila, e no Antigo Egito, pergaminhos eram o equivalente aos livros de papel que conhecemos hoje em dia. Com o avanço tecnológico e o advento da internet, podemos acessar  bibliotecas inteiras através de sites ou aplicativos. Praticamente todo o conhecimento da humanidade ao alcance dos nossos computadores e celulares. 

É quase inevitável nos perguntarmos: qual o futuro das bibliotecas físicas? Num futuro breve, teremos bibliotecas como as que conhecemos hoje? Eis a questão! E as livrarias e sebos? Espero que sim!

Quando viajo para conhecer novas cidades, no Brasil ou no exterior, procuro visitar suas bibliotecas e livrarias. Uma biblioteca abriga muita história sobre o lugar, há livros dos autores locais, eventos culturais da região... E as livrarias, ah... gosto de observar a forma como os livros são organizados e expostos em cada cidade, a criatividade dos livreiros, os livros que estão em destaque, os livros raros que encontramos, mesmo sem estar procurando... programação agradabilíssima com incríveis descobertas!

Livraria Atlantis Books, Santorini - Grécia https://www.instagram.com/atlantisbooks/

Na Itália, fiquei encantada ao conhecer a Biblioteca Ambrosiana, em Milão e também, a Biblioteca Teresiana, em Mântova. Esplendores em forma de bibliotecas.  Quanta história e beleza nestes lugares! Parece que o tempo parou para que aqueles livros e todo aquele acervo antiquíssimo fosse guardado com tanto esmero. Cada cidade italiana e dos outros países da Europa, preservam suas bibliotecas.

Biblioteca Teresiana de Mântova - Itália https://www.bibliotecateresiana.it/index.php

Em algumas cidades, as livrarias estão associadas a cafés  e confeitarias. Daí temos a combinação perfeita! Um bom café e alguns minutos para apreciar um bom livro... dos grandes prazeres simples da vida, ao nosso alcance na agitação do cotidiano.

No Brasil, nos últimos anos, temos constado o fechamento de livrarias. É um fenômeno bem triste para a nossa sociedade. Costumo dizer que "para cada livraria que se fecha, abrem duas farmácias", ou algo assim. Livrarias e bibliotecas são espaços de saúde, renovação de ideias, ampliação de horizontes, descobertas, reflexões. Deveriam ter mais incentivos para se fortalecerem e para que novas livrarias sejam abertas. No entanto, posso citar a Livraria da Travessa no Rio de Janeiro - RJ e a Livraria Cultura em Porto Alegre - RS, como belos exemplos de livrarias.

Das livrarias que conheci  em outros países e que gostei bastante, em que valeu cada segundo que estive naqueles ambientes, posso destacar: Livraria El Ateneo - Buenos Aires, na Argentina; Libreria Acqua Alta - Veneza, na Itália e a Atlantis Books - Santorini, na Grécia. Lugares mágicos! Estabelecimentos em que os livros e o próprio ambiente são atrações daquelas cidades. Tornaram-se pontos turísticos, bibliófilos de todo o mundo fazem questão de ir até esses locais para adquirir algum livro inusitado ou simplesmente, registrar uma foto.

Livraria El Ateneo, Buenos Aires - Argentina https://www.yenny-elateneo.com/local/grand-splendid/

Em Florianópolis - Santa Catarina, especificamente, já tivemos livrarias tão interessantes que foram sendo fechadas: a Livraria Lunardelli, a Livraria Cuca Fresca, a Livraria Livros & Livros no Centro da Cidade, a Livraria Saraiva no Shopping Beiramar, a Livraria Vozes, entre outras. Das grandes livrarias, restaram a Livrarias Catarinense no Centro da cidade e no Shopping Beiramar, a Livraria Nobel no Floripa Shopping, a Livraria Saraiva no Shopping Iguatemi e a Livraria Livros & Livros, na UFSC. (posso ter esquecido de citar algumas)

Dos sebos, destaque para a Desterrados - Fotografia, Literatura e Arte, o Sebo Império e o Sebo Mafalda, entre tantos outros, espalhados pela cidade. Alguns sebos itinerantes ou localizados em feiras também valem a visita, por exemplo, na Praça dos Bombeiros, no Centro da cidade durante a semana e na Feira de Santo Antônio de Lisboa, aos sábados à tarde.

Desterrados - Fotografia, Literatura e Arte, em Florianópolis - SC / Brasil https://www.instagram.com/desterradosartes/

Tenho uma lista de livrarias e bibliotecas para conhecer ao redor do mundo e não sei se conseguirei conhecer um décimo dessa lista. No entanto, fico feliz por saber que esses lugares existem, espaços tão lindos, dedicados aos livros e à leitura. Gostaria de conhecer, por exemplo, a Livraria Ler Devagar e a  Livraria Lello, em Portugal, a Albertine Books, em Nova Iorque e a Shakespeare and Company, em Paris. Seria bem fácil fazer uma lista com as cem livrarias mais incríveis pelo mundo.

Livraria Ler Devagar - Lisboa, Portugal https://lerdevagar.com/

Quanto às bibliotecas históricas ou mesmo as mais modernas, a lista das mais interessantes também é imensa: Biblioteca de Alexandria - Egito, Biblioteca do Trinity College em Dublin - Irlanda,  Biblioteca da Cidade de Stuttgart - Alemanha, Biblioteca Pública de Nova Iorque,  Biblioteca Nacional da China, Bibliothèque de Sainte-Geneviève  em Paris - França, Biblioteca Nacional da República Tcheca em Praga, Biblioteca de Admont - Áustria, Biblioteca Britânica em Londres - Inglaterra, Biblioteca Nacional da Grécia, Real Gabinete Português de Leitura  no Rio de Janeiro - Brasil e tantas outras.

"Sempre imaginei o paraíso como uma espécie de biblioteca." Jorge Luís Borges, escritor argentino (Buenos Aires, 24/08/1899 - Genebra - Suíça 14/06/1986)

Do nosso gosto pelos livros e pelo conhecimento, começa o desejo de formar uma biblioteca pessoal. Um espaço organizado para os livros que ganhamos de presente e aqueles que vamos adquirindo nas passagens pelas várias livrarias e sebos que encontramos.

A esse respeito, gosto do conceito de antibiblioteca de Umberto Eco (Itália, 05/01/1932 - 19/02/2016). O escritor, filósofo, linguista, semiólogo e bibliófilo  italiano possuía em seu acervo mais de 30 mil livros. Dizia que, mais importante do que os livros que já tinha lido, eram os livros que ainda não lera. Esses livros, em sua biblioteca, estavam à sua disposição, como fonte de pesquisa. Tenho bem menos livros do que gostaria de ter, lidos e não lidos,  no entanto, a cada livro que leio, devo comprar uns três ou quatro. O desafio é encontrar o tempo necessário para a leitura. Por isso, penso que os momentos de troca de ideias sobre os livros que já lemos é tão importante: o intercâmbio, a troca de ideias sobre os livros que talvez não conseguiremos ler, pois uma vida é pouco para tantos livros interessantes.

E você? Como é a sua relação com os livros, livrarias e bibliotecas?

Possamos manter vivas as nossas bibliotecas, livrarias e o hábito da leitura e escrita.

Boas descobertas nesses ambientes maravilhosos! Permita-se usufruir o prazer de ler!

📚📚📚📚

* Sebos - No Brasil, são os estabelecimentos comerciais para a venda e troca de livros usados. Podem se localizar em lojas físicas ou itinerantes, ao ar livre, ou ainda, online. Em Portugal, são conhecidas por Alfarrabistas.

domingo, 13 de março de 2022

Leituras, Reflexões e a Prática da Paz

A paz é essencial à vida na Terra. Não há como defender a guerra. Todo o dinheiro, o ouro e o petróleo do mundo não valem uma única vida. Governantes, com tanto estudo, poder e conhecimento, decidem sobre a vida e a morte de inocentes. Carecemos de sabedoria, espírito pacífico, compaixão, humildade e empatia.

Enquanto não conseguirmos conviver em paz, entre as pessoas e entre os países, talvez o ideal seria  administrar os conflitos de modo a manter a vida e a paz. Para isso, é necessário respeitar as diferenças, estar disposto a escutar e a cooperar, mais do que competir.

O mundo em que vivemos ainda apresenta-se muito bélico. Os países estão armados e as pessoas, também. Pelo pouco que entendo de resolução de conflitos, quando duas partes não conseguem se entender, um terceiro entra na conversa para mediar o diálogo e ajudar a chegarem num acordo. É preciso desenvolver meios diplomáticos para evitar as guerras e respeitar a vida.

Este não é um tema simples, afinal há muitos fatores envolvidos nos entendimentos e desentendimentos entre os países: poder, disputas econômicas, conflitos anteriores não resolvidos, preconceitos raciais e religiosos, entre outros. No nível individual, está ao nosso alcance desenvolver posturas pacíficas a cada dia. Por exemplo, escutar mais o ponto de vista dos outros, emitir menos julgamentos sobre os outros, encontrar um caminho de entendimento, saber respeitar as diferenças sem levar para o lado pessoal... uma infinidade de alternativas que favorecem a convivência pacífica.

Deixo aqui algumas recomendações de leitura que nos ajudam a refletir sobre a paz e a desenvolver posturas pacíficas, a partir de fontes  científicas, filosóficas e também holísticas ou espiritualistas.


Em busca de sentido, Viktor Frankl (Viena, Áustria 26/03/1905 - Viena, Áustria 02/09/1997)

O autor relata suas experiências e aprendizados num campo de concentração nazista, na 2a Guerra Mundial. Num local onde os prisioneiros sofreram todos os tipos de violência, ele nos fala sobre a importância de termos um sentido na vida, algo que nos motive a ir além e contribuir positivamente na vida dos outros. 

O livro é dividido em duas partes: a primeira, autobiográfica, com suas experiências no campo de concentração, e a segunda, sobre a Logoterapia, abordagem terapêutica desenvolvida pelo autor a partir de sua vivência.

A obra, escrita em 1946, continua atual. Nos traz reflexões sobre as barbáries que o ser humano é capaz e sobre aquilo que o ser humano não pode repetir. Para além disso, destaca a importância dos valores necessários à vida e à boa convivência, e dessa forma, a paz.



Tratado sobre a tolerância, Voltaire (Paris, França 21/11/1694 - Paris, França 30/05/1778, Filósofo francês)

Na obra, publicada em 1763, Voltaire nos conta sobre a injustiça cometida contra Jean Calas, vítima da intolerância religiosa de católicos contra protestantes, na França, algumas décadas antes da Revolução Francesa. É impactante o relato de como Jean Calas foi incriminado injustamente pela morte do próprio filho e o julgamento, em que ele foi condenado à morte de uma forma bárbara, por influência da população católica da cidade de Toulouse.

Leitura atual, considerando os vários conflitos religiosos que ainda acontecem em nossos tempos.



A paz como caminho, organizadora: Dulce Magalhães (Curitiba, PR, Brasil 25/01/1966 - São Paulo, SP, Brasil 06/02/2017)

A autora, pesquisadora da UNIPAZ, foi uma estudiosa da temática da pacificação. Neste livro o leitor encontra uma série de artigos inspiradores voltados para o desenvolvimento de uma cultura e consciência da paz.



Homo Sapiens Pacificus, Waldo Vieira (Monte Carmelo, MG, Brasil 12/04/1932 - Foz do Iguaçu , PR, Brasil 02/07/2015)

Em 2007, o pesquisador da Conscienciologia, Waldo Vieira, publicou este tratado sobre o pacifismo. Para entender a paz, ele discorre inicialmente sobre o belicismo, ainda presente em nosso planeta a partir de fatos históricos e teorias já desenvolvidas sobre o assunto. Ao estudar a evolução da consciência, propõe que a paz seja desenvolvida a partir de cada um de nós, em nosso íntimo, através da superação dos traços bélicos.

Fala que as consciências mais evoluídas são pacíficas e que podemos nos ajudar mutuamente a desenvolver um mundo pacífico através do nosso desenvolvimento e exemplo pessoal. É importante que cada um de nós faça a nossa parte e, dessa forma, inspire os demais.


O livro está disponível em PDF no site da editora: https://editares.org.br/livro/homo-sapiens-pacificus/

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Este é um tema em que poderíamos discorrer por horas a fio ou escrever páginas e mais páginas. Por fim, uma frase do educador, psicólogo e escritor Pierre Weil (Estrasburgo, França 16/04/1924 - Brasília, Brasil 10/10/2008), foi Reitor da UNIPAZ:

"Na realidade não existe nenhuma fronteira em lugar nenhum; todas as fronteiras são criações da mente humana - logo não existem. E é em cima de fronteiras que não existem que se fazem as guerras!" (Pierre Weil, A arte de viver em paz)

Obs.: a obra "A arte de viver em paz" está disponível para baixar no site da UNIPAZ: https://unipazdf.org.br/#baixe-o-livro-de-pierre-weil

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Boas leituras, reflexões e práticas diárias voltadas para a pacificação interna e que contribuam para a paz no mundo em que vivemos! 🙏🌻📚✨

sábado, 12 de fevereiro de 2022

A terapêutica na poesia de Manoel de Barros

Cada verso da poesia de Manoel de Barros tem muito a nos dizer. São frases certeiras no nosso coração e na nossa alma... Adentram uma esfera quase sem palavras para explicar ou para traduzir o efeito que geram em nosso interior. Elas chegam de mansinho e nos abraçam, nos envolvem com ternura e carinho.

"Poesia é voar fora da asa." O livro das ignorãças

Ele nos lembra, de modo sutil, delicado e singelo, que a vida é agora e precisa estar conectada à natureza, ou melhor, somos a natureza também. Nesse texto, procuro mesclar as reflexões com versos e trechos de poemas do grande mestre da poesia brasileira.

"Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos."  O livro sobre o nada, 1996.

Boa parte das pessoas no mundo ocidental, ao qual fazemos parte, imersas na lógica capitalista do consumo e do lucro, vivem numa roda vida alucinada: cumprir tarefas, horários, metas inalcançáveis... ou ter lucros maiores a cada mês, a cada semana, a cada dia... E assim passam os dias, os meses, os anos... E a vida vai escapando pelas nossas mãos. 

Nesse ritmo acelerado, nessa falta de conexão consigo e com os demais, a vida segue e o tempo de vida passa pela janela, a cada amanhecer em que não paramos para ouvir os pássaros, sentir a brisa logo cedo ou desfrutar os primeiros raios de sol a iluminar e aquecer o dia. Alguns de seus poemas ilustram bem sua visão de mundo a tentativa de encontrar uma via alternativa que acesse a própria vida.

O menino que carregava água na peneira (um trecho)

O menino aprendeu a usar as palavras.

Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.

E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.

O menino fazia prodígios.

Até uma pedra dar flor.

A mãe reparava o menino com ternura.

A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!

Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios

com as suas peraltagens,

e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!

Neste sentido, a poesia de Manoel de Barros é terapêutica. Não sei se ele tinha noção do alcance de seus versos, quanto à forma como utiliza as palavras, num aconchego que dá gosto. Ainda assim, nos presenteou com seus versos tão aprazíveis.

"A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos."  O livro sobre o nada, 1996.

A poesia tem um lugar central em sua vida e obra. Através de palavras simples, despretensiosas e muito bem encadeadas, nos toca e ajuda a organizar nossas emoções e ideias, nos conectar com as coisas desimportantes, aquelas que realmente importam.

"No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava escrito: 

Poesia é quando a tarde está competente para dálias. 

É quando 

Ao lado de um pardal o dia dorme antes. 

Quando o homem faz sua primeira lagartixa. 

É quando um trevo assume a noite 

E um sapo engole as auroras."

Manoel de Barros - O livro das ignorãças, 1993.

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E até mesmo quando Manoel de Barros se aproxima dos fatos mais pesados da nossa realidade, o faz de uma perspectiva comovente e com sementes de esperança, como neste poema da obra Meu quintal é maior do que o mundo:

Os girassóis de Van Gogh 

Hoje eu vi 

Soldados cantando por estradas de sangue 

Frescura de manhãs em olhos de crianças 

Mulheres mastigando as esperanças mortas 

Hoje eu vi homens ao crepúsculo Recebendo o amor no peito. 

Hoje eu vi homens recebendo a guerra 

Recebendo o pranto como balas no peito. 

E, como a dor me abaixasse a cabeça, 

Eu vi os girassóis ardentes de Van Gogh.


Manoel de Barros ou Manoel Wenceslau de Leite Barros nasceu em Cuiabá - MT e passou a infância na fazenda da família no Pantanal. (19/12/1916, Cuiabá - MT - 13/112014, Campo Grande - MS). A partir dos treze anos, mudou-se para Campo Grande - MS, onde viveu a maior parte de sua vida.

Publicou seu primeiro livro em 1937 - Poesia concebida sem pecados. Formou-se em Direito no Rio de Janeiro em 1941. Entre os vários prêmios que recebeu, destaque para os Prêmios Jabuti de 1989, com a obra "O guardador de águas", e em 2002, com a obra "O fazedor de amanhecer". 

Autor de mais de trinta livros, conciliava simplicidade e intelectualidade com maestria, foi um erudito e um gigante da poesia brasileira e mundial. Contemporâneo, Carlos Drummond de Andrade afirmava que Manoel de Barros era o maior poeta vivo do Brasil. Em Portugal, é um dos poetas brasileiros mais lidos. No entanto, parecia não se importar com esses títulos.


Escultura de Manoel de Barros em Campo Grande - MS, inaugurada no dia em que completaria 101 anos, em 2017.

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Desejo que em algum momento, do dia ou da noite, você possa presentear-se com os versos de Manoel de Barros, trazer passarinhos, borboletas e amanheceres para a sua vida! 📚🌻🦋✨

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